Arquivo mensal: julho 2013

BEATLES DIA A DIA.

20 de julho de 1967

Paul comparece ao Chappell Recording Studios enquanto a Chris Barber Band gravava uma versão de “Catcall” (a mesma “Catswalk” composta por Paul em 1958 e que chegou a ser tocada pelos Beatles no início). Paul contribui com gritos, uivos e um pouco de piano.

 

 

Fonte: The Beatles Diary.

BEATLES DIA A DIA.

20 de julho de 1964

Lançamentos exclusivos da Capitol: LP “Something New” e compactos “” / “I’m Happy Just To Dance With You” e “And I Love Her” / “If I Fell”. Lembrando que, na época, a Capitol montava os discos dos Beatles diferentemente dos lançamentos originais ingleses.

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Fonte:  The Beatles Diary.

A HISTÓRIA DA MÚSICA HEY JUDE

A HISTÓRIA DA MÚSICA HEY JUDE

20 de fevereiro de 2013 • por Beatlepedia • em Histórias de Canções. •

 

John e Julian 3

Quando Cynthia Lennon chegou de viagem e encontrou John e Yoko juntos na casa onde ela vivia com ele, a separação realmente começou. Um acordo provisório foi estabelecido para que Cynthia e Julian, completamente abalados com a atitude de John, pudessem ficar em Kenwood, casa em que John e morava com Cynthia, enquanto John e Yoko firmavam residência em um apartamento em Montagu Square, no centro de Londres.

 

John e julian 2

Paul McCartney e Julian Lennon – filho de John e Cynthia que, na época da separação, tinha 5 anos – sempre tiveram uma relação muito próxima. Paul foi o único do círculo de amizade dos Beatles que foi até Kenwood demonstrar apoio por tudo o que havia acontecido. Ele foi dirigindo de sua casa em St John’s Wood até Weybridge levando uma única rosa vermelha. Paul tinha o costume de usar o tempo que passava no carro para trabalhar em músicas novas e, nesse dia, preocupado com o futuro de Julian, ele começou a cantarolar “Hey Julian” e improvisar uma letra sobre o tema do conforto e da segurança. Em certo momento da viagem de uma hora, “Hey Julian” se tornou “Hey Jules”, e Paul criou o trecho “Hey Jules, don’t make it bad, take a sad song and make it better”. Foi só na hora de desenvolver a letra, algum tempo depois, que ele transformou Jules em Jude, por achar que soava mais forte e musical.

 

 

Paul chegou a Kenwood em uma tarde ensolarada, entregou a rosa vermelha e disse “Eu sinto muito, Cyn, eu não sei o que deu nele. Isso não está certo”. Paul ficou algum tempo. Disse que John estava levando Yoko para as sessões de gravação o que ele, George e Ringo detestavam. Paul havia terminado seu relacionamento com Jane Asher algumas semanas antes. Jane havia voltado para casa, depois da turnê de uma peça de teatro, com alguns dias de antecedência e o surpreendera na casa deles com outra garota. Ela o deixou e, diferente de John, Paul se culpava e estava com o coração partido. Depois de tantos problemas Paul brincou: “Nós podemos nos casar, o que você acha, Cyn?”. Paul não se importou com o que John pensaria disso e foi o único a desafiá-lo. Ele partiu prometendo manter contato, mas um ou dois meses depois o relacionamento de Paul com a fotógrafa americana Linda Eastman teve início e sua vida entrou em uma nova fase.

 

 

 John e Julian 1

A música foi se tornando menos específica e John achou que a música era dedicada a ele, encorajando-o a sair dos Beatles e ir viver com Yoko (“You were made to go out and get her”). Um verso em particular – “the movement you need is on your shoulder” – deveria ser apenas um tapa-buraco. Quando Paul tocou a música para John, comentou que aquela parte precisava ser substituída e que ele parecia estar cantando sobre seu papagaio. “Esse provavelmente é o melhor verso da música”, disse John. “Deixe aí. Eu sei o que significa”. Paul afirmaria mais tarde que, até hoje, lembra de John quando canta essa frase em seus shows.

John e Julian 5Paul 163

Julian Lennon cresceu conhecendo a história por trás de “Hey Jude”, mas só em 1987 ouviu os fatos diretamente de Paul, quando o encontrou em Nova York. “Foi a primeira vez que nós sentamos e conversamos. Ele me contou que vinha pensando na minha situação todos aqueles anos atrás, no que eu estava passando e pelo que eu ainda teria de passar no futuro. Paul e eu passávamos bastante tempo juntos – mais do que meu pai e eu. Talvez Paul gostasse mais de crianças na época. Tivemos uma grande amizade, e parece haver muito mais fotos daqueles tempos em que estou brincando com Paul do que com meu pai”, conta Julian. “Eu nunca quis saber realmente a verdade sobre como meu pai era e como ele era comigo”, ele admite. “Mantive minha boca fechada. Muita coisa negativa foi dita sobre mim, como quando ele disse que eu tinha saído de uma garrafa de uísque em um sábado à noite. Coisas assim. É muito difícil lidar com isso. Eu pensava ‘cadê o amor nisso tudo?’. Foi muito prejudicial psicologicamente, e por anos isso me afetou. Eu costumava pensar ‘como ele pôde dizer isso sobre o próprio filho?’”.

 

 John e Julian 4

Julian não se limita à letra de “Hey Jude” já há algum tempo, mas acha difícil fugir dela. Ele está em um restaurante e a música toca, ou ela surge no carro quando está dirigindo. “Ela me supreende toda vez que a escuto. É muito estranho pensar que alguém escreveu uma música sobre você. Ainda me emociona”, ele diz.

“Hey Jude” foi o single de maior sucesso de toda a carreira dos Beatles. Chegou ao topo das paradas no mundo todo e, antes do fim de 1967, mais de 5 milhões de cópias tinham sido vendidas. A letra original escrita por Paul foi comprada por Julian Lennon em um leilão, décadas depois.

 

FONTES: Beatlepedia

JOHN LENNON – O sonho deve continuar.

JOHN LENNON. O sonho deve continuar.

 

 

Imagine que John Lennon já não mais existe – é duro demais. John nos mostrou um mundo tão cheio de encanto, de amor e liberdade, que é impossível imaginá-lo sem ele. “Afinal, por que estamos neste mundo?” – ele costumava dizer. “Certamente não para sentir medo e dor.” Ironicamente, sua trajetória seria marcada pela violência: quando ele nasceu, no dia 9 de outubro de 1940 (Liverpool, na Inglaterra), Londres, a capital, era arrasada pela aviação alemã. Era só o começo da II Grande Gerra Mundial. 40 anos depois, em frente ao prédio onde morava, seria assassinado, ao que parece, por um beatlemaníaco(É o que foi dito na época, pois antes de assassiná-lo o mesmo pediu autografo a John). Triste ironia!

O assassino de Jonh Lennon pede autografo (1)

A importância de John e os Beatles tem sido discutida até hoje – e é certo que vai levar ainda algum  tempo até que se possa compreender melhor tudo o que aconteceu. Seja como for, uma coisa é certa: sem eles, o mundo não seria muito diferente do que era no tempo dos nossos pais. Quando eles surgiram, em 63, tudo era regido por uma moral vitoriana: os rapazes usavam o cabelo muito bem aparado, as garotas não ousavam usar vestidos acima dos joelhos, e o namoro jamais ia além de uns beijinhos no portão. Os Beatles mudaram a ordem das coisas. Passaram a gozar tudo que era sério. A própria Rainha da Inglaterra acabou vitima das gozações de John. Foi num concerto, em 63, em Londres: “Vocês aí no fundão, podem bater palmas” – disse ele. “E vocês das poltronas, basta sacudirem as jóias.” Sua majestade encontrava-se majestosamente instalada na primeira fila de poltronas.

 

 

Com a dissolução dos Beatles, em 70, desabaram as esperanças de toda uma geração. “O sonho acabou”, John diria. Com a sua última mensagem veio mais uma vez confirmar as possibilidades de um sonho: “Nós ainda podemos mudar muita coisa. Construa o seu próprio sonho. Não espere que alguém o faça por você”.

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Por Marina Sanches – @sancmarina.

A HISTÓRIA DE A HARD DAY’S NIGHT, O PRIMEIRO FILME DOS BEATLES

A HISTÓRIA DE A HARD DAY’S NIGHT, O PRIMEIRO FILME DOS BEATLES

12 de fevereiro de 2013 • por Beatlepedia • em Beatles. •
A proposta para um longa-metragem chegara aos Beatles e a Brian Epstein em outubro de 1963 – antes mesmo de tocarem pela primeira vez nos EUA e arrebatarem multidões -, vinda de um grande estúdio americano, o United Artists, com o objetivo de produzir um musical de baixo orçamento que daria à divisão fonográfica da companhia uma possibilidade de comercializar o álbum da trilha sonora dos Beatles nos Estados Unidos. A partir de 1961, a UA começou a se interessar pelo entretenimento britânico, e isso ajudou no fato de um estúdio cinematográfico mostrar confiança nas possibilidades comerciais dos Beatles nos EUA, enquanto a Capitol Records parecia não se importar. Quando os Beatles se tornaram uma sensação na Grã-Bretanha no outono de 1963, George Ornstein – comandante do escritório da United Artists em Londres – não perdeu tempo em autorizar o produtor independente Walter Shenson a abordar Brian Epstein com a proposta de que os Beatles estrelassem um filme em preto e branco, produzido com o pequeno orçamento de meio milhão de dólares. Shenson tinha a reputação de homem que sabia vender filmes britânicos para o público americano e, quando ele soube da idéia de um filme dos Beatles, logo pensou em Richard Lester, que já havia dirigido um filme de Shenson.
                                                                                                Richard Lester
Nascido e criado na Filadélfia, Richard Lester trabalhara numa emissora de televisão local antes de se mudar para Londres em 1955. Em um ano entrou para os Goons, com quem fez duas séries de televisão que não duraram muito (Idiot’s Weekly e A Show Called Fred) e um filme caseiro surrealista, ambientado num campo vazio, chamado The Running Jumping And Standing Still Film, que ganharia seguidores cult nos EUA e uma indicação ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em 1959. Em 1962, dirigiu seu primeiro longa, It’s Trad, Dad!, um musical de baixo orçamento estrelado por Helen Shapiro e nomes do jazz tradicional. Mais tarde, no mesmo ano, por recomendação de Peter Sellers, Lester foi contratado para dirigir The Mouse on the Moon. Ao demonstrar seu talento para a apresentação tanto de música pop quanto de comédia, os dois filmes convenceram Shenson de que Lester era o homem ideal para dirigir os Beatles, agora, como atores.
O nome de Alun Owen como possível roteirista para o filme foi mencionado por Brian Epstein e eufóricamente insistido pelos Beatles na primeira reunião com Walter Shenson, em outubro de 1963. Owen era um dramaturgo mais conhecido por uma série de dramas para televisão ambientados no Merseyside e repletos de cor local. O sentimento de Owen pela vida em Liverpool era mais complexo e menos sentimental. O apoio dos Beatles a Owen como roteirista dizia algo sobre o estado de espírito da própria banda numa época em que eles também deixavam a cidade para trás. O envolvimento do dramaturgo garantia que o filme, independente do enredo, os apresentaria como quatro filhos de Liverpool.
 
Embora os Beatles não tivessem tempo para exercer muita influência direta sobre o conteúdo do filme, eles fizeram questão de deixar claro para Walter Shenson que não tinham interesse em se fazer de bobos. Não se diziam atores, mas queriam que o filme evitasse seguir o rumo dos musicais em geral, em particular os filmes de Elvis. Foi a partir disso que, Shenson, Owen e Lester, vieram com a ideia de que os Beatles interpretassem a si mesmos em um falso documentário sobre a vida no centro do fenômeno pop. Alun Owen foi enviado para observar o fenômeno em primeira mão durante um final de semana de shows em Dublin e voltou tão impressionado com a forma furtiva que eles usavam para ir dos quartos para os carros que introduziu a noção mais séria dos Beatles como “prisioneiros do sucesso”. Durante o inverno de 1964, enquanto o grupo se apresentava na França e nos EUA, Shenson e Lester reuniram o elenco e a equipe técnica. Wilfred Brambell, o astro rabugento da popular série de tevê da BBC Steptoe & Son, foi contratado para interpretar o avô fictício de Paul McCartney. Normann Rossington foi escalado comoRoadie, Victor Spinetti como um diretor de televisão neurótico e Kenneth Haigh como produtor de um programa de televisão teen ao modo de Ready, Steady, Go!. Gilbert Taylor, que havia acabado de filmar Dr. Strangelove, de Stanley Kubrick, ficou encarregado da fotografia. Enquanto isso, no escritório da UA em Londres, todos já estavam confiantes do sucesso dos Beatles nos EUA e que isso renderia fortunas do filme e das vendas do LP da trilha sonora. As filmagens começaram no início de março e continuaram pelas próximas seis semanas entre a relativa calmaria dos Twickenham Studios e o caos de várias locações em Londres. O trabalho externo era sempre o mais complicado por, onde quer que as câmeras estivessem em determinado dia, estar sempre rodeado por garotas histéricas que dificultavam os trabalhos. Mas Richard Lester parecia gostar de estar no meio do caos. “Era como estar no centro do universo”, ele dizia. “A estrutura do roteiro tinha de ser uma série de tiradas de uma frase. Isso me permitia, em algumas cenas, virar a câmera para eles, dizer uma frase, e, então, eles a repetiam. Se não ficasse ótimo, eu a dizia de outra maneira e eles a repetiam de outra maneira”.
Os Beatles conversam durantes as filmagens de A Hard Day’s Night
As seis semanas que os Beatles passaram trabalhando no filme marcaram a maior estadia sem interrupção nenhuma em Londres desde que haviam começando a vir à cidade de maneira regular, há dois anos. Com tudo o que estava acontecendo, os quatro já haviam trocado os quartos de hotel que ocupavam nas constantes idas e vindas por acomodações mais permanentes. John, Cynthia e seu filho Julian Lennon viviam em um apartamento de terceiro andar em Kensington. Paul McCartney tinha praticamente se mudado para a casa de Jane Asher, que vivia com a família no West End. George Harrison e Ringo Starr dividiam um apartamento em Knightsbridge, no mesmo prédio moderno em que morava Brian Epstein, que também estava tratando de transferir a NEMS Enterprises de Liverpool para um conjunto de escritórios no West End vizinho ao Palladium Theater. Durante esse tempo, o primeiro livro de John Lennon, In His Own Write, foi lançado. No set de filmagens do filme, que tinha o título provisório de Beatlemania, não era difícil encontrar John e Dick Lester conversando sobre o livro e seus jogos de palavras esquisitos. Foi em uma dessas conversas que o título do filme apareceu. John explicava a Lester que muitos dos seus jogos de palavras e sintaxe torta derivavam da maneira como as pessoas comuns falavam em Liverpool. Ringo, por exemplo, sempre aparecia com expressões esquisitas, que logo começaram a ser chamadas de “ringoísmos”. John então destacou um que usara no livro, num contro sobre “Sad Michael”, que acordou certa manhã depois de uma “noite de um dia duro” (“a hard day’s night“).
 
Ringo durante as filmagens
Para a United Artists, a contribuição mais importante dos Beatles para o filme seriam as seis músicas originais que determinariam a estrutura musical e dariam ao selo fonográfico da companhia o álbum da trilha sonora, o que primeiro incentivou o projeto. Como os Beatles não teriam tempo de gravar quando as filmagens começassem em março, todas as seis, além de “Can’t Buy Me Love” (que foi incluída na trilha) e “You Can’t Do That”, tiveram de ser concluídas na semana seguinte ao retorno dos EUA, em fevereiro de 1964. Os estúdios das EMI, em Abbey Road, haviam recém instalado equipamentos de gravação de quatro canais, o que ajudou na produtividade das sessões. Isso revolucionaria a abordagem de produção dos Beatles, porém, nesse estágio inicial, sua função era reduzir a margem de erro, ao permitir mais flexibilidade na gravação e mixagem das faixas vocais e instrumentais. Seguindo o espírito leve e alegre do filme, a maioria das músicas que Lennon e McCartney escreveram para a trilha sonora eram animadas, independente do tema. Em abril, pouco depois que Richard Lester e Walter Shenson adotaram a expressão de Ringo como título do filme (Os Reis do Iê-Iê-Iê, no Brasil), Shenson pediu a Lennon e McCartney que compusessem uma faixa-título, para ser tocada durante os créditos iniciais e finais. Para o espanto de Shenson, em alguns poucos dias os Beatles escreveram e gravaram uma abertura de intensidade arrepiante.
Tentei postar o vídeo, mas não sei o que aconteceu que só aparece o link se acaso quiserem ver é só clicar ok, desculpem
A Hard Day’s Night estreou em Londres no dia 6 de julho – depois de um mês de férias tirados pelos Beatles -, alguns dias depois em Liverpool e dali a três semanas nos Estados Unidos. A estreia londrina contou com a presença da princesa Margaret e o Piccadilly Circus enfeitado com cabeças gigantes dos Beatles na fachada.

 
Estreia de A Hard Day’s Night em Londres
A estreia em Liverpool, no dia 10 de julho, foi uma recepção de proporções gigantescas, com mais de cem mil pessoas no aeroporto de Speke e lotando as ruas ao redor da prefeitura, onde os Beatles foram recebidos pelo prefeito e pela banda da polícia, que tocou “Can’t Buy Me Love”.
 
Os Beatles são recebidos por mais de cem mil fãs no aeroporto de Speke, em Liverpool
Nos EUA, não houveram tais formalidades. A Hard Day’s Night chegou a setecentos cinemas por todo o país, se tornou o filme mais rentável daquele verão e estabeleceu um recorde de “retorno de investimento” na indústria cinematográfica que se manteria por anos. O único incidente foi causado pelo desejo dos fãs de se manterem colados aos assentos no final, no intuito de assistir ao filme repetidas vezes.
 
O que se via na tela era um relato discretamente fictício de dois dias na vida dos Beatles, que nunca são chamados assim, apenas John, Paul, George e Ringo, na suposição bastante razoável de que todo mundo no filme (com algumas excessões planejadas) e que assistia ao filme sabia com precisão quem “eles” eram. Como se esperava, a principal contribuição de Owen para o filme foi dotá-lo de um clima de Liverpool. As falas escritas por ele para os Beatles se adequaram à cadência cantada do sotaque e enfeitaram os diálogos com um glossário de gírias scouse. O estilo de direção de Richard Lester contribuiu para que A Hard Day’s Night fosse uma mistura intensa do humor dos Goons – nos modos irreverentes de rir de si mesmo, nos toques de surrealismo e nas gags de corrida incessantes -, e com a marca daNouvelle Vague – no visual, clima e ritmo ágil do filme -.
 
Os Beatles se preparam para gravar outra cena
Quase sem excessões, as resenhas de A Hard Day’s Night nas imprensas britânicas e americana foram de um entusiasmo abundante. Esse deveria ser o ponto duvidoso na carreira dos Beatles, onde qualquer talento de verdade que possuíssem se tornaria exagerado. O fato de os resultados terem se mostrado o contrário serviu como uma demonstração dramática do poder das expectativas diminuídas. As resenhas seguiam um padrão previsível, começando com uma expressão de assombro (“Isso vai surpreendê-los – pode até fazer vocês caírem da cadeira”, escreveu Bosley Crowther no New York Times), seguida por parágrafos de elogios à inteligência e à esperteza do roterio de Alun Owen e à sofisticação da direção de Dick Lester. Numa frase que capturou as pretensões de Lester com precisão, Andrew Sarris, do Village Voice – depois de confessar: “ajudem-me, resisti aos Beatles o máximo que pude” -, chamou o filme de “o Cidadão Kane dos musicais de jukebox“. Arthur Schlesinger Jr., fazendo freelance como crítico de cinema para a revista Show, descreveu o filme como uma “conspiração da delinquência contra a soberba” e o considerou “extasiante pela audácia e modernidade”. Os críticos se esbaldavam ao buscar alusões cinematográficas que Lester jogara como iscas. Além de tudo, Ringo foi comparado por muitos jornais a Chaplin.
 
As resenhas de A Hard Day’s Night também renderam os primeiros elogios escritos aos Beatles feitos por pessoas com experiência em crítica de artes populares. NoThe Observer, Penelope Gilliatt sugeriu que eles se tratavam com “o estoicismo de palhaços e o tipo de grosseria despreocupada que, em geral, só se faz possível entre irmãos”. Talvez a resenha mais criteriosa tenha vindo de Elizabeth Sutherland para o The New Republic. Sutherland não considerou os Beatles nem loucamente engraçados nem ultrajantes em particular, e admitiu não ter dado muita bola para a música. Em vez disso, ela deu crédito a eles pela integridade, complexidade e um nível “surpreendente” de charme: “Aqui estão quatro jovens de sucesso que sugerem uma nostalgia para a própria juventude; que são profissionais patentes e fizeram o mais antiprofissional dos filmes. Seus olhares podem ser duros e algo mod, e depois acessíveis, e ambas as imagens são autênticas”. Ao comentar sobre os fãs, Sutherland escreveu: “Não há uma única garota pré-adolescente na plateia da apresentação final que choramingue em silêncio, e isso parece vir mais de uma apreciação das tentativas ocultas da banda de agradar, de um senso de gentileza compartilhada, do que da satisfação de algum tipo de pseudo-orgasmo”. “Os Beatles representam um estilo baseado em não pressionar. Numa época em que nossa comédia se tornou histérica e nosso surrealismo surreal demais, eles não se esforçam muito para serem engraçados, raivosos ou poéticos”, completou Sutherland.

Para os adolescentes que formavam o principal público do filme, A Hard Day’s Nightapenas concentrava todos os aspectos pertinentes do apelo do grupo – a música, o visual, o estilo e o humor – num formato que poderia ser revisitado repetidas vezes. Foi nele que John e Paul perceberam que suas personalidades individuais precisavam uma da outra, a azeda precisa da doce, e vice-versa; foi nele que George conheceu Pattie Boyd, que se tornaria importante em sua vida, sendo inspiração para dezenas de canções inesquecíveis; e foi nele que Ringo mostrou que não era apenas o homem da bateria que marcava o tempo das canções, atirando desenfreadamente seus “ringoísmos” durante todos os anos seguintes. Isso fez deA Hard Day’s Night, com efeito e para sempre, um filme de treinamento para todos os beatlemaníacos.

 

 

 

 

FONTES: Beatlepedia

 

A lendária noite em que Jimi Hendrix tocou para os Beatles.

Todo mundo deve conhecer a história, o Paul McCartney conta em todo show que ele faz. Mas histórias boas foram feitas para serem contadas milhares e milhares de vezes. Bem, o Alexandre Matias conta melhor que eu: Os quatro Beatles foram ao último show da turnê do Jimi Hendrix Experience na Inglaterra em 1967, no dia 4 de junho, no teatro Saville em Londres, um domingo. Na quinta anterior, dia 1°, o grupo havia lançado seu mítico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, cumprindo a autopromessa que era a invenção da psicodelia inglesa. O próprio Paul McCartney deu uma cópia ao maior guitarrista de todos os tempos, poucas horas antes do show de domingo. Eis que Hendrix resolve abrir a noite com: Clássico é clássico: O dia em que Jimi Hendrix tocou “Sgt. Pepper’s” para os Beatles Melhor que o Matias, o próprio Paul conta sobre esse dia: Vídeo de Paul Jimi Hendrix Story – Las Vegas. Paul McCartney conta a história de Jimi Hendrix em Las Vegas, 6/10/11 O velho Macca conta o causo em suas apresentações sempre antes de tocar a canção “Let Me Roll It” para Jimi Hendrix com uma versão instrumental de “Foxy Lady”, uma espécie de retribuição, já que o Beatles considera o fato de Jimi — o maior guitarrista de todos os tempos —  tocar uma música sua dois dias depois de ser lançada, ““um dos maiores tributos” à sua carreira. Let Me Roll It (Live on Later…with Jools Holland, 2010) E não é de hoje não. Aqui embaixo, Paul toca a mesma versão na década de 70, ainda com os Wings (e ainda com mullets): Paul McCartney & Wings – Let Me Roll It (Seattle ’1976) E então que, lá em 67, Jimi Hendrix tocou “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” dois dias depois de seu lançamento:

De acordo com informações essa foto não é desse dia. Above: The Beatles watch The Jimi Hendrix Experience at their manager Brian Epstein’s Saville Theatre in London’s West End. Na foto, Paul e George sentados e, em pé, John e Ringo, todos os quatro assistindo a apresentação do Jimi em 67.

 

 

 

 

 

 

 

por Jader Pires em 13/07/2013 às 10:00 | Cultura e arte, PdHShots

Fonte: Papo de homem.

http://papodehomem.com.br

A HISTÓRIA DA CANÇÃO BECAUSE

A HISTÓRIA DA CANÇÃO BECAUSE

 
23 de janeiro de 2013 • por Beatlepedia • em Histórias de Canções. •
A inspiração de Because veio de uma noite em John estava deitado no sofá ouvindo Yoko martelar algumas canções eruditas ao piano, – Yoko viera de uma família japonesa rica e ocidentalizada, e aprendeu piano logo na infância -, e uma dessas canções era “Sonata ao Luar”, de Beethoven. Yoko estava tocando o primeiro movimento da Sonata para piano n° 14 em dó sustenido menor quando John a interrompeu e perguntou se poderia tocar os mesmos acordes em ordem inversa. Ela o fez e, imediatamente, John sentiu que estava nascendo uma nova canção para os Beatles.
Apesar de John ter sugerido a inversão das notas, um ouvido musicalmente mais atento pode perceber uma cópia direta. O musicólogo Wilfrid Mellers, autor do livroTwilight Of The Gods: The Music Of The Beatles, qualifica como “inconfundível” a semelhança das mudanças hamônicas nos temas de John e Beethoven. A idéia de um Beatle tomar algo de Beethoven como inspiração era, no mínimo, irônica, pois na época o senso comum dizia que o rock’n’roll era o extremo oposto da música clássica e que ninguém poderia realmente apreciar o mesmo gênero. Uma das primeiras perguntas que sempre faziam aos Beatles nos EUA era “o que vocês acham de Beethoven?”. Ringo sempre tomava a frente e respondia “Eu adoro. Especialmente seus poemas”.
George Martin dobrou as vozes de John, Paul e George de modo a criar uma Harmonia em nove partes, talvez a mais íntima e doce dos Beatles. As linhas arpejadas de cravo elétrico e guitarra dão suporte aos acordes e são reforçadas pelos metais de George Martin e por uma flauta doce do Moog. O formato da letra poderia servir de base para um livro infantil, que consiste em um único verso começado pela palavra “because”. O resultado é um dos jogos de palavras mais belos e poeticamente acessíveis já escritos por John. “Because” é o primeiro exemplo de vocal principal compartilhado em Abbey Road e, mais do que qualquer outra coisa, surge como um lembrete de que, muito mais que a habilidade instrumental ou de composição dos primeiros álbuns, era a mescla absolutamente única e distinta das vozes dos Beatles o que os destavaca entre os demais grupos no início da carreira.
FONTES: Beatlepedia

 

A PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DOS BEATLES NA TV AMERICANA.

A PRIMEIRA APRESENTAÇÃO DOS BEATLES NA TV AMERICANA.

9 de janeiro de 2013 · por Beatlepedia · em Beatles·

 

Os Beatles já eram um sucesso na Grã-Bretanha quando, em novembro de 1963 – duas semanas antes do lançamento de With The Beatles -, Brian Epstein foi a Nova York. Como os Beatles vinham sendo lançados nos EUA por um selo independente e fracassando, Brian tinha a missão de persuadir a Capitol Records a apoiar os Beatles com peso corporativo e o apresentador de televisão Ed Sullivan a trazer a banda ao seu programa de variedades. Graças à ajuda de milhares de fãs frenéticos dos Beatles, Epstein falara com Sullivan uma semana antes quando, por acaso, estava de passagem pelo Aeroporto de Heathrow no dia em que os Beatles voltavam de uma série de shows na Suécia. O local estava uma loucura, com gritos e fãs apaixonadas. Ed Sullivan ficou impressionado e convidou Epstein a procurá-lo em Nova York. Uma semana depois, lá estava Brian, pronto para conversar com Sullivan. Ele não falou em dinheiro, mas insistiu que os Beatles fosse a atração principal – que garantia que a banda seria incluída nas chamadas do programa. Brian saiu dos EUA com um contrato para três participações – duas ao vivo e uma gravada – em domingos consecutivos em fevereiro de 1964 e um chachê que consistia em passagens aéreas e 4 mil dólares.

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A primeira percepção dos Beatles nos EUA viria na semana de férias entre o Natal e o Ano-Novo, quando as estações de rádio do país inteiro começaram a tocar “I Want to Hold Your Hand”. Depois do dia 1° de janeiro, enquanto os estudantes retornavam do feriado natalino, o som da música no rádio era acompanhado pela chegada do disco às lojas, e a novidade musical começavava a se espalhar pelas escolas dos Estados Unidos. A Capitol lançou às pressas o LP Meet The Beatles, vendendo mais de meio milhão na primeira semana.

Os Beatles em Paris, antes de irem aos EUA.

O telegrama com a notícia de que “I Want to Hold Your Hand” chegara ao primeiro lugar nos EUA chegou aos Beatles na terceira semana de janeiro, em um hotel em Paris. Logo um grupo de jornalistas americanos fora enviado para obter citações, fotos e material para os artigos que estavam sendo preparados para a chegada da banda, que se daria em breve. A Capitol Records havia colocado 5 milhões de pôsteres onde se lia “The Beatles are coming” por todo o país e certa de cinco mil pessoas fizeram o pedido para os setecentos ingressos do Ed Sullivan Show.

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Quando os Beatles chegaram ao Aeroporto de Heathrow para pegar o avião rumo aos EUA, eles não sabiam de nada disso. Sabiam, apenas, que os discos haviam ido bem. Heathrow estava explodindo com tantas fãs gritando e soluçando, segurando faixas que diziam “We love you Beatles“. Policiais formavam correntes, com os braços dados, tentando conter  a multidão. Depois de uma entrevista coletiva, eles foram levados até o avião. No topo da escada, eles acenavam para as varandas lotadas do aeroporto ao som de gritos cada vez mais alto. Estavam no avião, além dos Beatles, Brian Epstein, Cynthia Lennon, Neil Aspinall e Mal Evans. Haviam também alguns jornalistas e fotógrafos, incluindo uma equipe do Liverpool Echo. O avião parecia uma festa: havia muito champagne, e todos ficavam mais eufóricos à medida que se aproximavam dos Estados Unidos. Eles estavam claramente com medo de ser apenas mais um grupo inglês sem sucesso nos EUA, mas qualquer idéia de esquecimento foi rapidamente abortada enquanto eles olhavam pelasjanelas do avião no momento em que ele taxiava para parar. Eles trocavam olhares eufóricos e assustados. John gritava “Ah, meu Deus, olhem só aquilo!”. Mais de 10 mil adolescentes esperavam pela banda cantando “Nós amamos vocês, Beatles, amamos mesmo!”.

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Quando a porta do avião foi aberta, os gritos era ensurdecedores. Eles conquistaram os americanos antes mesmo de aparecerem em público. Quando desceram do avião, foram rapidamente levados para um salão em que alguns jornalistas e equipes de televisão esperavam para realizar uma estrevista coletiva. Era a maior que já haviam feito, e John teve que gritar para que houvesse um pouco de silêncio. As perguntas era curtas e rápidas, seguidas sempre de um comentário espirituoso.

– Qual é a maior ambição de vocês?

– Vir para a América.

– Vocês esperam levar alguma coisa daqui?

– O Rockefeller Center.

Depois da coletiva, foram escoltados até os luxuosos Cadillacs que estavam esperando para levá-los até o Hotel Plaza. Enquanto olhavam pela janela encantados com a cidade que viam, as rádios eram interrompidas por boletins constantes que anunciavam a chegada dos Beatles. Todas as ruas em torno do hotel estavamborbulhando de loucura. As milhares de garotas gritavam sem parar com suas perucas dos Beatles, faixas, fotos e camisetas. Os policias estavam exaustos, se esforçavam tanto para que ninguém rompesse a barreira, que seus rostos estavam vermelhos. Quando chegaram no hotel, foram levados até uma suíte espetacular. Quando olhavam pelas janelas, viam as multidões que vinham de todas as direções. A chance de fazerem turismo estava descartada. Guardas e funcionários do hotel ficavam ao lado da porta da suíte dia e noite, enquanto outros guardas ficavam na parte de baixo do hotel, preparados para capturar as fãs que conseguiam romper a barreira policial. O telefone tocava com uma frequência assustadora, e telegramas chegavam o tempo inteiro – entre eles, um de Elvis. Eles só conseguiam sair pela porta dos fundos e tinham que correr direto para a limousine e abrir caminho vagarosamente entre a multidão.

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Os Beatles tocaram no Ed Sullivan Show dois dias depois de terem chegado aos EUA. George Harrison estava tão gripado e se sentindo tão mal que teve de ser dopado com remédios para conseguir se apresentar. Todos os medos e inseguranças que tinham fora destruído no momento em que Paul foi até o microfone e cantou “Close your eyes and I’ll kiss you”. Segundo alguns institutos de estatísticas, foi a maior audiência registrada por um programa na televisão americana. 74 milhões de americanos sintonizaram no Ed Sullivan Show no dia 9 de fevereiro de 1964, numa tarde de domingo, e foram, definitivamente, apresentados aos Beatles. Enquanto eles, depois de todo o medo de fracassar nos EUA, olhavam encantados para os rostos em êxtase na platéia e entendiam que estavam começando a conquistar o mundo.

 

 

 

Fonte: Beatlepedia

BEATLES DIA A DIA

11 de julho de 1983

A EMI anuncia a descoberta de material inédito dos Beatles. Estas músicas são “How Do You Do”, “That Means A Lot”, “If You’ve Got Troubles” e “Leave My Kitten Alone”.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: The Beatles Diary.