BEATLES POR LEONARDO BERNSTEIN / 9 DE OUTUBRO DE 1979.

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“Me apaixonei pela música dos BEATLES ( e, ao mesmo tempo, por aqueles quatro caras “cum persone”) junto com meus filhos, duas meninas e um garoto, ao descobrir aquele falsete fabuloso gritado-sussurrado, aquela batida irresistível, a entonação perfeita, as letras completamente novas, a torrente schubertiana de invenção musical e a “nonchalance” tipo Danem-Se esses Quatro Cavalheiros do Nosso Apocalipse. Jamie tinha doze anos, Alexander, nove, e Nina, dois. Juntos nós vimos A Visão, em nossas formas inevitavelmente distintas (eu tinha 46 anos!), mas vimos a mesma Visão, e ouvimos o mesmo Pássaro-da-Manhã, Trombeta-do-Elefante, Fanfarra-do-Futuro. Que Futuro? Cá estamos nós, quinze anos se passaram, aquilo passou. Porém, durante uma década mais ou menos, ou ainda menos, aquilo permaneceu a mesma Visão-Clarim, cada vez mais concluente e irrefutável, mais clara, mais amarga – e melhor…

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…”Talvez o mais claro, mais amargo ( e quem sabe melhor ) foi um disco chamado “REVOLVER ( pace Sgt. Pepper, Abbey Road et al.). Nesse álbum, a melhor coisa, talvez, era uma musiquinha chamada “She said she said; pensar nela, lembar-se dela traz imediatamente à memória toda a beleza daquelas Veias Varicosas Vietnamitas. As notas cicatrizavam, a letra incomodava; ou talvez fosse vice-versa. Mas alguma coisa incomodava, e alguma coisa cicatrizava, anos após ano, Rigby após Rigby, Paperbak após Norwergian, talvez expressa às últimas consequências na verdade vislumbrante e triste de She’s leaving home…

 

“Enquanto isso, aparecia um volume fino, de pura genialidade verbal de um ator novo, chamado JOHN LENNON: in his own write. Como se isso não bastasse para lenda, ainda havia as notas ( e a voz de sereia-sílfide) de um tal McCartney. Esses dois formavam uma dupla que incorporou uma criatividade quase nunca igualada naquela década feliz. Ringo – um ator-instrumentista adorável. George – um talento místico irrealizado. Porém, John e Paul, São John e São Paul, eram, e fizeram, e aureolaram, beatificaram e eternizaram o conceito que será sempre conhecido, lembrado e profundamente amado como THE BEATLES…

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“E, se os depois foram simplesmente isso, os quatro foram O Todo. Essa interdependência deixava atônito, chapava, às vezes dava pavor; vamos mesmo precisar disso tudo Quando Tivermos 64 anos? Bem, hoje estou beirando os 64 (amigos(as) o ano é de 1979 ), e três compassos de A day in the life bastam para me sustentar, rejuvenescer, excitar meus sentidos e sensibilidades.

 

 

Nina, que tinha dois anos em 64, agora tem dezessete; e ainda na semana passada pegamos aquele livro grosso e infeliz de partituras maltiradas dos BEATLES para ficar relembrando no piano.Nós choramos, e demos pulos de alegria com as redescobertas ( She’s a woman) – só nós dois, durante horas (Ticket to ride, A hard day’s night, I saw her standing there)…

Isso foi a semana passada. Os BEATLES não existem mais. Mas esta semana ainda estou pulando, chorando, recordando uma época boa uma década de ouro, bons tempos, bons tempos…..”

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POR LEONARDO BERNSTEIN / 9 DE OUTUBRO DE 1979

 

Por Marina Sanches – @sancmarina

 

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