Arquivo mensal: março 2016

“MAGICAL MYSTERY TOUR – O SONHO COLORIDO DE UMA VIAGEM”.

MAGICAL MYSTERY TOUR.

Paul 101Paul 17John e Ringo - Magical Mystery Tour 1967

Magical Mystery Tour images inéditas das filmagens de Magical Mystery Tour.

John 37The Beatles - Magical Mystery TourThe Beatles - Magical Mystery Tour 17

Esse álbum traz, no lado 1, a trilha sonora do filme Magical Mystery Tour, feito pelos Beatles para a TV. Foi o primeiro trabalho do grupo após morte de Brian Epstein e quem se encarregou do projeto foi seu idealizador.

Paul McCartney:

The Beatles - Magical Mystery Tour 12

– Não nos preocupamos com o fato de não sabermos nada sobre cinema. Descobrimos, algum tempo atrás, que não se precisa de conhecimento prévio para fazer nada nesse mundo. Basta ter sensibilidade.

O resultado é uma série de belas imagens refletindo a onda psicodélica da época. Mas falta uma seqüência lógica, já que o filme não teve nem roteiro nem direção, e isso ofendeu os pruridos de alguns críticos. Trata-se da história de uma viagem de ônibus que sofre uma interferência mágica, surgindo, então, personagens e situações irreais, que só poderiam ter saído da imaginação dos quatro.

Paul, que estava tentando substituir Brian na orientação do grupo, envolveu-se profundamente com o trabalho e fez praticamente sozinho toda a montagem. Mas a crítica foi implacável: pela primeira vez, encontrava motivos para condenar quatro gênios, até então infalíveis. Na verdade, os críticos não levaram em conta o fato de ser a primeira experiência cinematográfica do grupo e exigiram uma perfeição a altura de sua produção musical, como se fossem veteranos no cinema. Paul ficou bastante magoado; mas não perdeu o humor ao responder as críticas:

The Beatles - Magical Mystery Tour 16The Beatles - Magical Mystery Tour 15

– Achamos que o título já explicava tudo. Não havia roteiro nem planos definido… Adoramos a fantasia e tentamos criá-la no filme. Mas foi tão ruim assim, em comparação com o texto da programação de Natal? A mensagem da rainha não foi nenhuma obra de arte.

The Beatles - Magical Mystery Tour 8The Beatles - Magical Mystery Tour 7

A idéia do filme surgiu pela primeira vez em março de 67, mas as filmagens só começaram em setembro. Estreou na BBC TV no Natal e deveria ser apresentado nos Estados Unidos, mas devido ao fracasso de crítica, a TV norte americana NBC cancelou o contrato de 1 milhão de dólares. O filme não foi veiculado na TV brasileira porque uma das exigências para sua exibição era a existência do sistema de TV em cores, que ainda não tínhamos na época. Mas Magical Mystery Tour delicia até hoje, as platéias das salas especiais em que é apresentado entre nós.

The Beatles - Magical Mystery Tour 6The Beatles - Magical Mystery Tour 5

A trilha sonora foi lançada na Inglaterra em dois compactos duplos, acompanhados por um livreto, em dezembro de 67. O álbum, portanto, saiu primeiro nos Estados Unidos, e só chegou ao Brasil depois do relançamento, em 76.

O lado 2 traz canções que haviam sido lançados em compactos.

Assim, todas as gravações editadas pelos Beatles em 1967 estão contidas nesse álbum e no Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

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Inglaterra: 19/11/67; Estados Unidos: 27/11/67; Brasil 12/76.

MAGICAL MYSTERY TOUR

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Violão e backing vocal.

Paul McCartney: Baixo, piano e vocais principais.

George Harrison: Guitarra solo e backing vocal.

Ringo Starr: Bateria e pandeiro.

Músicos de estúdio: Três trompetes.

Abertura triunfal para a história de uma viagem mágica, de acordo com a intenção de Paul de fazer com que essa faixa lembrasse um comercial de TV. É ele que faz os vocais principais, enquanto John e George “respondem” no backing vocal.

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O estéreo foi usado brilhantemente para dar idéia do movimento do ônibus, através da colocação estratégica de vozes e demais sons nos dois canais. O uso do piano e dos trompetes cria um clima jazzístico que alguns comparam com “Penny Lane” e “Lovely Rita”, especialmente no final da faixa.

 

Por Marina Sanches – @sancmarina.

Fonte: S.S.

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BEATLES DIA A DIA.

22 de março de 1999

A EMI lança uma edição comemorativa de 25 anos do álbum “Band On The Run” de Paul & Wings.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: The Beatles Diary.

BEATLES DIA A DIA.

22 de março de 1978

Estréia nos EUA pela NBC Television o especial “All You Need Is Cash”, uma paródia bem-humorada da história dos Beatles que conta até com a participação de George Harrison interpretanto um repórter.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: The Beatles Diary.

BEATLES DIA A DIA.

22 de Março de 1967

George trabalha em overdubs e mixagem para “Within You Without You”. Uma prévia do álbum “Sgt. Pepper’s” com as faixas gravadas até então é preparada para os Beatles ouvirem.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: The Beatles Diary.

BEATLES DIA A DIA

22 de março de 1963

Lançado na Inglaterra o LP “Please Please Me”, versão mono. Lançada também uma versão de “Misery” por Kenny Lynch, primeiro cover de uma canção dos Beatles. Nesta data, realizam shows no Manchester Square em Londres e no Gaumont em Doncaster.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: The Beatles Diary.

“I Found Out”.

Canção composta por John Lennon para seu álbum – John Lennon/Plastic Ono Band.

A gravação foi produzida pelo próprio Lennon, em conjunto com Yoko Ono e Phil Spector.

Esta canção raivosa e amarga pode ser considerada o resultado de uma década na qual Lennon passou por diversos gurus em busca da iluminação, com meditação, drogas e finalmente através da Terapia Primal de Arthur Janov. “I found out” pode ser traduzido para o Português como “eu me dei conta” ou “eu descobri”, ou seja, na música ele deixa de lado esta série de falsos ídolos que ele tinha acumulado e rejeita-os, para se apresentar finalmente como “livre de ilusão”.

A composição também revela o desconforto e revolta de John com as pessoas que ficavam lhe assediando diariamente, como no começo da canção em que ele canta The freaks on the phone won’t leave me alone, so don’t give me that brother, brother, .. (“os pirados no telefone não vão me deixar em paz, então não me vem com essa, meu irmão”, em tradução livre).

Posteriormente John explicou o verso em uma edição da revista Rolling Stone:I’m sick of all these aggressive hippies or whatever they are, the ‘Now Generation’, being very up-tight with me. Either on the street or anywhere, or on the phone, demanding my attention, as if I owed them something (“estou cansado de todos estes hippies agressivos ou seja lá quem for, a ‘Nova Geração’, irritados comigo. Seja na rua ou em qualquer lugar, ou no telefone, exigindo minha atenção, como se eu lhes devesse algo”).

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Ringo aparece tocando nesta gravação. Diferente dos outros Beatles, John manteve uma boa relação com o baterista. Ele depois explicou que “apesar de tudo, os Beatles realmente podiam tocar juntos quando não estavam tensos e se eu tenho algo rolando, Ringo sabe para onde ir, bem assim, e ele faz bem feito” (“In spite of all the things, the Beatles could really play music together when they weren’t uptight, and if I get a thing going, Ringo knows where to go, just like that, and he does well”).

Por Marina Sanches – @sancmarina.

Fonte: S.S.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

THE BEATLES E O ÁLBUM QUE FOI CONSAGRADO PELA REVISTA ESPECIALIZADA EM MÚSICA “ROLLING STONE” O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS – “SGT, PEPPER’S LONELLY HEARTS CLUB BAND”.

The+Beatles+Sgt+Pepper+Photoshoot

Paul 229 - February 24th, 1967 - Studio Session for Lovely RitaPaul 223 - 1967_March_Lovely_RitaBeatles 195 - February 24th, 1967 - Studio Session for Lovely RitaBeatles 200 - March 3rd, 1967 – Recording - mixing session for - Sgt Pepper - Lucy in the Sky.Paul 225 - 1967

“Aceite o gentil convite desses quatro cabeludos, desses quatro bandoleiros do rock. Não resista: eles querem contar como mudaram a história do século 20.” Na sala de concertos, a orquestra da uma última afinada em seus instrumentais.  A platéia murmura, ansiosa, à espera da nova criação do grande Mestre. De repente, irrompem guitarras feéricas, acompanhadas pela forte marcação da bateria. A voz de Paul berra do fundo do fundo da garganta anunciando a Banda do Sargento Pimenta. Só então a cortina se abre e a banda entra em cena, provocando gargalhadas de prazer no público. Os quatro se apresentam: – Somos a Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta… Todos em êxtase. O grande Mestre – que se chamam Beatles – mais uma vez não decepcionou ninguém. Pelo contrário, surpreendeu o mundo com um trabalho que mudaria definitivamente o curso da música contemporânea. Não há dúvida de que foi também um marco divisório na carreira do próprio grupo. O mais impressionante, porém, é que a música popular nunca mais foi a mesma depois desse disco e todos os pop stars queriam fazer também seus álbuns conceituais – como se Sgt. Pepper’s fosse apenas isso. Até aquele momento, o álbum era nada mais nada menos que o melhor trabalho dos melhores do mundo – e muitos o consideram até hoje o ponto máximo da carreira dos Beatles, inclusive John Lennon: – Sgt. Pepper’s é o primeiro de todos. Foi um pico. Paul e eu estávamos  realmente trabalhando juntos quando o fizemos. Foi um álbum pioneiro sob muitos aspectos: nenhum disco pop, até então, tivera um mesmo tema do começo ao fim, nem tampouco faixas ligadas uma às outras, praticamente sem interrupção; além disso, os quatro levaram ao extremo, nesse álbum, uma inovação que já haviam introduzido em Rubber Soul e Revolver: o uso de orquestração e instrumentos estranhos ao rock, assim como grandes elaborações de produção. Desta maneira, foram maiores os desafios à habilidade de George Martin, que teve que conseguir, entre outras coisas, ruídos bucólicos (como mugidos de vacas e relinchos eqüinos), uma orquestra de 41 figuras para tocar sem partitura, um som que só fosse audível por cachorros e assim por diante. Desempenhou tão bem suas funções que um critico chegou a considerá-lo autor do álbum – o que magoou profundamente os verdadeiros criadores, conforme conta Paul: – Ficamos ofendidos com isso. Não é essencial que ele nos ajude, embora seja uma grande ajuda; mas vocês sabem muito bem que o álbum não foi feito por ele! Sgt. Pepper’s chegou na hora certa – no momento em que os jovens agitavam bandeiras pacifistas, descobriam o amor livre e prazeres psicodélicos – trazendo todos esses elementos da maneira mais inesperada possível. Era um reflexo da realidade, mas surpreendia pelo modo criativo de abordá-lo. Enfim, a palavra de ordem não era o Real, mas o Sonho. Em Sgt. Pepper’s, ele era lindo, louco, inesquecível. MATURIDADE.

Beatles 199 - March 3rd 1967Beatles 174 - Sgt Pepper's 1967

Havia a idéia de fazer um álbum conceitual referente à infância e à adolescência dos quatro. Mais ou menos em setembro de 1966, Paul apareceu com a canção “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Decidiram que este seria também o titulo do disco e alguém teve a idéia de fazê-lo como se fossem eles a banda. Daí em diante, a unidade do álbum foi tomando forma: cada nova canção que aparecia encaixava sob medida onde colocada. As gravações começaram em dezembro de 1966 e se estenderam (com um pequeno intervalo de Natal) até abril de 67. Se recordarmos que o primeiro álbum dos Beatles ficou pronto em um dia, teremos uma vaga idéia do quanto o trabalho dos rapazes amadurecera. E, como disse John, ele e Paul estavam mais entrosados do que nunca. O resultado não poderia ser melhor.  As polêmicas, obviamente, não foram poucas. Enquanto os fãs ensandeciam de prazer a intelectualidade, enfim, adotava os Beatles. Ou seja: agora, até a nata cultural podia assumir que gostava dos quatro, pois haviam mostrado ser muito mais que rapazinhos de Liverpool a deslumbrar moçoilas. Até a imprensa oficial (foram capa do Time, por exemplo) começava a adular os Fab Four.

UMA COROA PARA A PETULÂNCIA.

Mas havia também os advogados de acusação – ou não será um trabalho de vanguarda. Spiro Agnew (na época, governador de um Estado norteamericano, posteriormente, vice de Nixon) tentou proibir “With a Little Help From My Friends” no rádio, pois achava que a frase “I get high” (eu fico alto) referia-se a drogas. “A Day in the Life” foi banida da BBC pelo mesmo motivo, mas os Beatles nunca disfarçaram a referência às drogas presente no disco, que se transformou num símbolo da abertura das portas da percepção (alas, Aldous Huxley, autor do livro As Portas da Percepção, onde descreve uma experiência com mescalina, está representado na capa do disco). Mas as pessoas viam muito mais “horrores” do que realmente existiam. Foi nessa época, inclusive, que Paul contou à revista Life que já havia tomado LSD, causando um grande rebuliço na cabeça dos que acreditam que os jovens são meros seguidores de exemplos, sem vontade própria. Como se os Beatles fossem os detonadores da onda psicodélica que varreu o mundo no final dos anos 60! Se pessoas como Spiro Agnew e seus sucessores se deixassem influenciar pelos Beatles, talvez não estivéssemos mergulhados até o pescoço no atual estado de coisas.

March 3rd, 1967 – Recording - mixing session for - Sgt Pepper - Lucy in the Sky.

March 3rd, 1967 – Recording – mixing session for – Sgt Pepper – Lucy in the Sky.

Beatles 47 - A Day In The Life

A capa do disco não causou menos surpresa que seu conteúdo. Foi criada por Peter Blake, mas a partir de idéias dos Beatles. Traz uma colagem de fotos de pessoas pertencentes às lembranças dos Beatles: Elvis, Dylan, Marilyn, Fellini, Oscar Wilde, Karl Marx, Aldous Huxley, o Gordo e o Magro, Tom Mix, Marlon Brando, entre muitos outros. (Hitler estava lá, mas conta-se que, na última hora, John achou que sua prsença seria de extremo mau gosto e o retirou.) A gravadora EMI não concordou com a capa, pois temia que as pessoas vivas ali representadas iniciassem um processo. Paul argumentou que todos iriam adorar estar ali (e foi o que aconteceu). Mas se tornou necessário que os Beatles concordassem em retirar Gandhi (a gravadora visava ao mercado indiano), pagassem uma indenização prévia de 40 milhões de dólares para o caso de processos e que Brian Epstein conseguisse uma autorização de cada uma das 62 pessoas vivas presentes na colagem. As quatro figuras de cera que representam os Beatles no museu londrino de Madame Tussaund estão lá, com seus terninhos dos tempos de bons moços. Bem ao lado, os quatro (de verdade!),vestidos em seus coloridos ternos de cetim, feitos especialmente para a ocasião por Jann Haworth e inspirados em uniformes vitorianos (a última moda em Londres naquele momento). Seguram instrumentos de banda e no bumbo, à sua frente, está escrito Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Uma boneca veste uma camiseta com a inscrição “Welcome the Rolling Stones” (Bem-vindos os Rolling Stones). À frente da banda, o nome Beatles e uma guitarra formadaos por flores. Há quem diga que há também pés de maconha, em protesto contra a não legalização da erva. As estatuetas no jardim foram trazidas das casas dos quatro. O disco tem ainda um encarte em papel-cartão, com apetrechos da banda para recortar – divisas, emblemas, bigode, etc. Esse último não era nem necessário, pois muita gente deixou crescer o bigode no estilo da banda. Conta-se que a tomada dessa foto, no estúdio do fotógrafo Michael Cooper, em Chelsea, foi uma continuação da loucura em que se realizou a  gravação de todo o álbum, com muitos excitantes químicos, improvisação e acontecimentos insólidos que entraam madrugada adentro. Não podia ser diferente. Afinal, nunca eles haviam ousado tanto em termos de experimentação. E nunca o resultado havia sido tão perfeito. Raras vezes na história a ousadia é tão rapidamente coroada de êxito. A confecção de Sgt. Pepper’s foi um happening. E, até hoje, ouvi-lo pode se transformar em outro.

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Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: S.S.