THE BEATLES E O ÁLBUM QUE FOI CONSAGRADO PELA REVISTA ESPECIALIZADA EM MÚSICA “ROLLING STONE” O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS – “SGT, PEPPER’S LONELLY HEARTS CLUB BAND”.

THE BEATLES E O ÁLBUM QUE FOI CONSAGRADO PELA REVISTA ESPECIALIZADA EM MÚSICA “ROLLING STONE” O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS – “SGT, PEPPER’S LONELLY HEARTS CLUB BAND”.

The+Beatles+Sgt+Pepper+Photoshoot

Como disse anteriormente quando iniciei essas postagens no Blog, encontrei quatro volumes da revista SOM 3 que é um pouco mais de conhecimento sobre os Fab Four, sei que hoje em dia há muitos meios de sabermos tudo sobre nossos amados Beatles, também sei que nem tudo que se fala é o que realmente aconteceu, mas para se saber o que realmente aconteceu só falando com os próprios não é mesmo, com certeza sempre haverá alguém interessado, pois tem muita gente como eu que mesmo tendo a internet que pode nos fornecer informações,  gostamos de ler e saber tudo sobre Beatles. A revista fala de alguns discos e das músicas quem tocou, quem foi o vocalista e tudo mais, detalhes de cada música, por isso será postado junto o vídeo da música a que se refere o comentário e os detalhes ok, e um pouco sobre os Beatles, postarei em partes e depois de postado tudo será compartilhado com meu grupo e página no Facebook, o 1º Volume se referia ao Álbum Branco, o 2º Volume sobre Magical Mystery Tour, o 3º que darei inicio agora é sobre Sgt. Pepper’s Lonelly Hearts Club Band.

Paul 229 - February 24th, 1967 - Studio Session for Lovely RitaPaul 223 - 1967_March_Lovely_RitaBeatles 195 - February 24th, 1967 - Studio Session for Lovely RitaBeatles 200 - March 3rd, 1967 – Recording - mixing session for - Sgt Pepper - Lucy in the Sky.Paul 225 - 1967

 

REVISTA SOM 3

3º VOLUME – A HISTÓRIA DE CADA DISCO. A MAIOR REVOLUÇÃO DA MÚSICA. “Aceite o gentil convite desses quatro cabeludos, desses quatro bandoleiros do rock. Não resista: eles querem contar como mudaram a história do século 20.” Na sala de concertos, a orquestra da uma última afinada em seus instrumentais.  A platéia murmura, ansiosa, à espera da nova criação do grande Mestre. De repente, irrompem guitarras feéricas, acompanhadas pela forte marcação da bateria. A voz de Paul berra do fundo do fundo da garganta anunciando a Banda do Sargento Pimenta. Só então a cortina se abre e a banda entra em cena, provocando gargalhadas de prazer no público. Os quatro se apresentam: – Somos a Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta… Todos em êxtase. O grande Mestre – que se chamam Beatles – mais uma vez não decepcionou ninguém. Pelo contrário, surpreendeu o mundo com um trabalho que mudaria definitivamente o curso da música contemporânea. Não há dúvida de que foi também um marco divisório na carreira do próprio grupo. O mais impressionante, porém, é que a música popular nunca mais foi a mesma depois desse disco e todos os pop stars queriam fazer também seus álbuns conceituais – como se Sgt. Pepper’s fosse apenas isso. Até aquele momento, o álbum era nada mais nada menos que o melhor trabalho dos melhores do mundo – e muitos o consideram até hoje o ponto máximo da carreira dos Beatles, inclusive John Lennon: – Sgt. Pepper’s é o primeiro de todos. Foi um pico. Paul e eu estávamos  realmente trabalhando juntos quando o fizemos. Foi um álbum pioneiro sob muitos aspectos: nenhum disco pop, até então, tivera um mesmo tema do começo ao fim, nem tampouco faixas ligadas uma às outras, praticamente sem interrupção; além disso, os quatro levaram ao extremo, nesse álbum, uma inovação que já haviam introduzido em Rubber Soul e Revolver: o uso de orquestração e instrumentos estranhos ao rock, assim como grandes elaborações de produção. Desta maneira, foram maiores os desafios à habilidade de George Martin, que teve que conseguir, entre outras coisas, ruídos bucólicos (como mugidos de vacas e relinchos eqüinos), uma orquestra de 41 figuras para tocar sem partitura, um som que só fosse audível por cachorros e assim por diante. Desempenhou tão bem suas funções que um critico chegou a considerá-lo autor do álbum – o que magoou profundamente os verdadeiros criadores, conforme conta Paul: – Ficamos ofendidos com isso. Não é essencial que ele nos ajude, embora seja uma grande ajuda; mas vocês sabem muito bem que o álbum não foi feito por ele! Sgt. Pepper’s chegou na hora certa – no momento em que os jovens agitavam bandeiras pacifistas, descobriam o amor livre e prazeres psicodélicos – trazendo todos esses elementos da maneira mais inesperada possível. Era um reflexo da realidade, mas surpreendia pelo modo criativo de abordá-lo. Enfim, a palavra de ordem não era o Real, mas o Sonho. Em Sgt. Pepper’s, ele era lindo, louco, inesquecível. MATURIDADE.

Beatles 199 - March 3rd 1967Beatles 174 - Sgt Pepper's 1967

 

Havia a idéia de fazer um álbum conceitual referente à infância e à adolescência dos quatro. Mais ou menos em setembro de 1966, Paul apareceu com a canção “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Decidiram que este seria também o titulo do disco e alguém teve a idéia de fazê-lo como se fossem eles a banda. Daí em diante, a unidade do álbum foi tomando forma: cada nova canção que aparecia encaixava sob medida onde colocada. As gravações começaram em dezembro de 1966 e se estenderam (com um pequeno intervalo de Natal) até abril de 67. Se recordarmos que o primeiro álbum dos Beatles ficou pronto em um dia, teremos uma vaga idéia do quanto o trabalho dos rapazes amadurecera. E, como disse John, ele e Paul estavam mais entrosados do que nunca. O resultado não poderia ser melhor.  As polêmicas, obviamente, não foram poucas. Enquanto os fãs ensandeciam de prazer a intelectualidade, enfim, adotava os Beatles. Ou seja: agora, até a nata cultural podia assumir que gostava dos quatro, pois haviam mostrado ser muito mais que rapazinhos de Liverpool a deslumbrar moçoilas. Até a imprensa oficial (foram capa do Time, por exemplo) começava a adular os Fab Four.

UMA COROA PARA A PETULÂNCIA.

Mas havia também os advogados de acusação – ou não será um trabalho de vanguarda. Spiro Agnew (na época, governador de um Estado norteamericano, posteriormente, vice de Nixon) tentou proibir “With a Little Help From My Friends” no rádio, pois achava que a frase “I get high” (eu fico alto) referia-se a drogas. “A Day in the Life” foi banida da BBC pelo mesmo motivo, mas os Beatles nunca disfarçaram a referência às drogas presente no disco, que se transformou num símbolo da abertura das portas da percepção (alas, Aldous Huxley, autor do livro As Portas da Percepção, onde descreve uma experiência com mescalina, está representado na capa do disco). Mas as pessoas viam muito mais “horrores” do que realmente existiam. Foi nessa época, inclusive, que Paul contou à revista Life que já havia tomado LSD, causando um grande rebuliço na cabeça dos que acreditam que os jovens são meros seguidores de exemplos, sem vontade própria. Como se os Beatles fossem os detonadores da onda psicodélica que varreu o mundo no final dos anos 60! Se pessoas como Spiro Agnew e seus sucessores se deixassem influenciar pelos Beatles, talvez não estivéssemos mergulhados até o pescoço no atual estado de coisas.

March 3rd, 1967 – Recording - mixing session for - Sgt Pepper - Lucy in the Sky.

March 3rd, 1967 – Recording – mixing session for – Sgt Pepper – Lucy in the Sky.

 

A capa do disco não causou menos surpresa que seu conteúdo. Foi criada por Peter Blake, mas a partir de idéias dos Beatles. Traz uma colagem de fotos de pessoas pertencentes às lembranças dos Beatles: Elvis, Dylan, Marilyn, Fellini, Oscar Wilde, Karl Marx, Aldous Huxley, o Gordo e o Magro, Tom Mix, Marlon Brando, entre muitos outros. (Hitler estava lá, mas conta-se que, na última hora, John achou que sua prsença seria de extremo mau gosto e o retirou.) A gravadora EMI não concordou com a capa, pois temia que as pessoas vivas ali representadas iniciassem um processo. Paul argumentou que todos iriam adorar estar ali (e foi o que aconteceu). Mas se tornou necessário que os Beatles concordassem em retirar Gandhi (a gravadora visava ao mercado indiano), pagassem uma indenização prévia de 40 milhões de dólares para o caso de processos e que Brian Epstein conseguisse uma autorização de cada uma das 62 pessoas vivas presentes na colagem. As quatro figuras de cera que representam os Beatles no museu londrino de Madame Tussaund estão lá, com seus terninhos dos tempos de bons moços. Bem ao lado, os quatro (de verdade!),vestidos em seus coloridos ternos de cetim, feitos especialmente para a ocasião por Jann Haworth e inspirados em uniformes vitorianos (a última moda em Londres naquele momento). Seguram instrumentos de banda e no bumbo, à sua frente, está escrito Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Uma boneca veste uma camiseta com a inscrição “Welcome the Rolling Stones” (Bem-vindos os Rolling Stones). À frente da banda, o nome Beatles e uma guitarra formadaos por flores. Há quem diga que há também pés de maconha, em protesto contra a não legalização da erva. As estatuetas no jardim foram trazidas das casas dos quatro. O disco tem ainda um encarte em papel-cartão, com apetrechos da banda para recortar – divisas, emblemas, bigode, etc. Esse último não era nem necessário, pois muita gente deixou crescer o bigode no estilo da banda. Conta-se que a tomada dessa foto, no estúdio do fotógrafo Michael Cooper, em Chelsea, foi uma continuação da loucura em que se realizou a  gravação de todo o álbum, com muitos excitantes químicos, improvisação e acontecimentos insólidos que entraam madrugada adentro. Não podia ser diferente. Afinal, nunca eles haviam ousado tanto em termos de experimentação. E nunca o resultado havia sido tão perfeito. Raras vezes na história a ousadia é tão rapidamente coroada de êxito. A confecção de Sgt. Pepper’s foi um happening. E, até hoje, ouvi-lo pode se transformar em outro.

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Inglaterra: 01/06/67; Estados Unidos: 02/06/67; Brasil: 09/67 Lado 1: 1 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. 2 – With Little Help From My Friends 3 – Lucy in the Sky With Diamonds. 4 – Getting Better 5 – Fixing a Hole 6 – She’s Leaving Home 7 – Being For the Benefit of Mr. Kite! Lado 2 1 – Within you Without You. 2 – When I’m Sixty-Four. 3 – Lovely Rita. 4 – Good Morning, Good Morning 5 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise) 6 – A Day in the Life.

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SGT. PEPPER’S LONELY HEARTSCLUBBAND.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Guitarra solo e backing vocal.

Paul McCartney: Baixo e vocais principais.

George Harrison: Guitarra solo e backing vocal.

RingoStarr: Baterista

George Martin: Orgão

A Banda do Sargento Pimenta faz sua entrada triunfal. Aqui, os Beatles acentuam o que haviam feito em “Rain” cerca de um ano antes, ou seja: utilizam guitarras pesadas em primeiro plano e não só como mero acompanhamento. Também é aqui que começa a brincadeira com estéreo: o coro começa no canal esquerdo, movendo-se para o centro. Quando Paul canta pela segunda vez, sua voz entra no canal direito. Foi essa canção que deu inicio a toda a história da Banda do Sargento Pimenta. Paul seu autor, lembra do começo: – Eu estava pensando em boas frases, como SargentPepper, LonellyHeartsClubBand e as duas vieram juntas, não sei por quê.  Essa banda é um pouco de banda de metais, mas um pouco de banda de rock também, porque tem aquela coisa de São Francisco. É ele quem faz os vocais principais, além de acompanhar John e George no corinho. Os metais e os órgãos, que tem mais destaque no final, caracterizam bem a banda a que Paul se referiu. A canção termina com a apresentação do cantor BillyShears e emenda na faixa seguinte. Ringo começa a cantar “With a LittleHelpFrommy Friends” como se fosse ele o tal de BillyShears. – Ringo é BillyShears – explica Paul. – Aconteceu durante a produção do Sgt. Pepper’s. BillyShears foi um nome que imaginamos para rimar com ‘years’. Achamos que era um ótimo nome, tipo EleanorRigby, e introduzia a faixa de Ringo. Para nós foi apenas uma maneira de apresentar a faixa seguinte.

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Backing vocal.

Paul McCartney: Baixo, piano e backing vocal.

George Harrison: Pandeiro.

Ringo Starr: Bateria e vocais principais.

Essa canção foi feita especialmente para Ringo cantar e é considerada seu melhor trabalho vocal. Trata-se de uma dessas composições para a qual John e Paul tinham apenas a melodia e o titulo – originalmente, “Bad Finger Boogie”. Conta a lenda que esse titulo influenciou um grupo chamado The Ivies a ponto de eles trocarem o nome para Bad Finger. A letra foi saindo enquanto os dois batucavam ao piano e tentavam descobrir rimas. Talvez por isso não tivessem nenhuma segunda ou terceira intenção além de rimar ao escreverem “I get high with a little help from my friends” (eu fico alto com uma ajudinha dos meus amigos), como acreditaram alguns. A canção se tornou mais um clássico beatle, recebendo inúmeras versões – das quais a mais famosa é a de Joe Cocker.

LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Guitarra solo e vocais principais.

Paul McCartney: Baixo, órgão Hammond e vocalização.

George Harrison: Cítara, vocalização.

Ringo Starr: Bateria.

Um desenho de Julian Lennon ou LSD? Era essa a polêmica criada pela canção. As iniciais de Lucy, Sky e Diamonds realmente formam LSD. Mas, segundo Paul, não era essa a intenção deles: – As pessoas chegam com um ar muito espertinho e dizem: ‘Saquei, é LSD’, e isso aconteceu quando os jornais não paravam de falar em LSD, mas jamais pensamos nisso. O que aconteceu foi que o filho de John, Julian, trouxe um desenho da escola e disse que era Lucy in the Sky Diamonds (Lucy no céu com diamantes). Achamos que era um bom titulo e fizemos a letra num clima de Alice no País das Maravilhas, tudo meio irreal. De vez em quando, entra o estribilho Lucy in the Sky With Diamonds, tomando conta do céu da história. Essa Lucy é Deus, é o coelho branco de Alice. Você pode escrever uma canção com imaginação em cima de palavras e foi isso o que nós fizemos. Essa canção é um dos pontos altos do filme Submarino Amarelo. John está nos vocais principais e o órgão Hammond que se ouve logo no começo foi adaptado para produzir esse som, semelhante a uma harpa celestial. Afinal, estamos numa viagem fantástica entre flores de papel celofone verde e amarelo e uma garota de olhos caleidoscópicos; e, lá em cima no céu, aparece Lucy com diamantes.

 

GETTING BETTER

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Guitarra solo e backing vocal.

Paul McCartney: Baixo, vocais principais e backing vocal.

George Harrison: Guitarra solo, tampura e backing vocal.

Ringo Starr: Bateria d bongos.

George Matin: Piano.

Mais uma canção que nasceu de um título. A frase “It’s getting better” (está melhorando) era marca registrada pelo baterista Jimmy Nichol, que substituiu Ringo na turnê de 64, quando este estava com amigdalite. Sempre que alguém perguntava a Jimmy como iam as coisas, ele respondia assim. Os três Beatles usavam a frase para brincar com ele. A canção saiu da frase e Paul faz os vocais principais. George toca um instrumento indiano chamado tampura, semelhante à cítara na forma, mas do qual se tiram apenas batidas surdas. Também na música oriental, ele é usado apenas no acompanhamento. George Martim entra no piano na última parte da faixa, mas batendo direto nas cordas e não tocando no teclado.

 

FIXING A HOLE

(Lennon/McCartney)

John Lennon: Maracas e backing vocal.

Paul McCartney: Cravo, baixo, guitarra solo e vocais principais.

George Harrison: Guitarra solo, backing vocal.

Ringo Starr: Baterista.

Uma canção de Paul bem no seu estilo. É ele que faz os vocais e toca cravo. Achou-se que fix a hole (cavar um buraco) referia-se a drogas e drogados. Paul explicou: – A canção se refere ao buraco na rua onde a chuva entra. É uma velha analogia com o buraco na sua estrutura que impede sua mente de seguir em frente. Mas explicou que também havia um verso sobre as fãs que ficavam o dia inteiro grudadas na porta de sua casa: “Silly people, run around/ They worry me/ and never ask me why they don’t get in my door” (Gente boba corre em volta/ me preocupo com eles/ e nunca me perguntam por que não entram pela minha porta). – Ás vezes eu convido as fãs para entrarem, mas não é uma boa, porque uma vez eu convidei uma e no dia seguinte ela estava com a mãe nos jornais dizendo que íamos nos casar.

 

SHE’S LEAVING HOME.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Vocais principais e backing vocal.

Paul McCartney: Vocais principais e backing vocal.

Músicos de estúdio: Harpa e instrumentos de corda.

George Martin disse que essa canção quase o fazia chorar. Certamente, ele não é o único a se sentir assim diante da triste história de uma jovem que foge da casa dos pais por falta de amor e atenção, deixando os velhos desnorteados – “we gave her everything Money could buy” (nós lhe demos tudo que o dinheiro pode comprar). Na época em que fervilhavam os conflitos de geração e a exaltação do amor, essa balada à La McCartney veio a calhar. Paul disse que se baseou numa história real que leu no jornal. – A garota era bem mais jovem que Eleanor Rigby, mas é o mesmo tipo de solidão. Paul faz os vocais principais em dois canais, com a voz de John entrando de vez em quando. É a única faixa em que os Beatles não tocam nenhum instrumento, acompanhados por uma harpa e alguns violinos, tocados por Mike Leander.

 

BEING FOR THE BENEFIT OF MR. KITE!

(Lennon-McCartney)

John Lennon:  Órgão Hammond e vocais solo.

Paul McCartney: Baixo e guitarra solo.

George Harrison: Harmônica

Ringo Starr: Harmônica.

George Martin: Órgão Wurlitzer e piano.

Mal Evans: Harmônica Neil Apinall: Harmônica.

John se inspirou num cartaz de circo da época vitoriana para fazer essa música, na qual personagens fantásticos garantem o entretenimento da platéia. Depois de ouvir essa história e “Lucy in the Sky With Diamonds” (não menos surrealista), George Martin disse que John era o “Salvador Dali oral”. John faz os vocais principais e toca o órgão Hammond. Paul está nas guitarras e George, Ringo, Mal e Neil tocam, cada um, um tipo de harmônica diferente. George Martin toca um órgão Wurlitzer e, para completar a atmosfera circence vitoriana, os quatro alquimistas do som queriam um órgão a vapor também vitoriano. Era um trabalho para o superprodutor! George Martin reuniu diversas fitas com gravações desse tipo de órgão, cortou-as, fez uma salada, chegando a usar algumas de trás pra frente, e o resultado é esse acompanhamento que nos transporta para algo sonhado por John.

 

WITHIN YOU WITHOUT YOU.

(George Harrison)

George Harrison: Tamboura e vocais solo.

Músicos de estúdio: Dilruba, tamboura, sword mandel.

Músicos de estúdio: Oito vilinos e três violoncelos.

A cota habitual de George: Uma faixa por disco. Mais tarde, ele iria queixar-se de sua pouca participação nos trabalhos do grupo. A música traz uma série de instrumentos indianos misturados com violinos e violoncelos. Trata-se de uma continuação da experiência apresentada em “Love You To”, no álbum Revolver. – Klaus (Voorman) tinha em casas um harmônico, que eu nunca havia tocado antes – conta George. – Comecei a brincar com o instrumento e “Within You” foi saindo. Primeiro veio à melodia, depois o primeiro verso. A letra fala do que estávamos conversando naquela noite. Trata-se de uma pequena pregação da filosofia oriental que George estava começando a estudar, segundo a qual só é importante o que o ser humano tem em seu interior e não os fatos terrestres (nem a bomba atômica importa, segundo eles). A faixa é bem longa e costuma despertar reações estremas: ou se adora ou se detesta “Within You Without You”. Tudo acaba num riso/choro e emenda na alegre canção seguinte.

WHEN I’M SIXTE-FOUR

(Lennon-McCartney)

John Lennon – Guitarra e backing vocal.

Paul McCartney: Baixo, piano, vocais principais e backing vocal.

George Harrison: Backing vocal.

Ringo Starr: Bateria.

Músicos de studio: Duas clarinetas e uma clarinet baixo.

Um pedido de casamento: quando eu tiver 64 anos, você ainda vai me mandar um cartão de dia dos namorados? Eu posso ser muito útil, trocar um fusível para você… No Submarino Amarelo, os quatro penetram no Mar do Tempo, envelhecendo em segundos ao som de “When I’m Sixty-Four”. Na verdade, Paul escreveu essa canção para seu pai, quando ele fez 64 anos. E, tanto na melodia, quanto no arranjo, deu uma voltinha pelos anos 20 que tanto aprecia. O resultado é uma musiquinha divertida e fácil de gostar, que nos traz de volta do transe produzido pela faixa anterior. Os clarinetes fazem um acompanhamento bem ao estilo de Paul, que está nos vocais principais, no piano e também no corinho, ao lado de George e John.

 

LOVELY RITA.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Violão, pente com papel, backing vocal.

Paul McCartney: Baixo, piano, pente com papel, vocais principais e backing vocal.

George Harrison: Violão, pente com papel e backing vocal.

Ringo Starr: Bateria.

George Martin: Piano.

Nos Estados Unidos e Inglaterra existem aparelhos chamados parking meters (parquímetros) instalados junto ao meio-fio, que controlam o tempo que um carro permanece estacionado. Quem estaciona perto deles deve colocar um número determinado de moedas, de acordo com o tempo que vai demorar. O controle da operação é feito por moças, que são chamadas, na Inglaterra, de parking meter women (mulheres do parquímetro). Daí, Paul conta de onde surgiu lovely Rita:

– Eu estava brincando no piano, em Liverpool, quando alguém veio e me disse que nos Estados Unidos as mulheres do parquímetro são chamadas de meter maids (mais ou menos de donzelas do medidor). Achei aquilo demais e criei “Lovely Rita Meter Maid”. Ia ser uma canção de ódio: ’You took my car away and I’m so blue today’ (você levou meu carro embora e estou tão triste hoje). Ninguém ia gostar dela. Depois achei melhor amá-la, ainda mais se ela fosse meio maníaca e andasse com a bolsa no ombro, com um jeito meio militar. Ela pisa forte, mas é legal. Assim, Rita é adorável, apesar de controlar o estacionamento dos carros. O pente com papel foi usado para produzir o som “cha-cha-cha” (talvez, por falta de reco-reco na Inglaterra). O pianinho do meio da canção é feito por George Martin. No final, é Paul quem toca piano, num estilo jazzístico que seria repetido em “Magical Mystery Tour”. Logo que Rita sai de cena, o galo canta.

GOODMORNING, GOODMORNING

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Vocais principais e backing vocal

Paul McCartney: Baixo, guitarra solo e backing vocal.

George Harrison: Guitarra solo

Ringo Starr: Bateria Sounds Incorporated: Três saxophones, dois trombones e um corne francês.

O canto do galo abre essa faixa animadíssima, com participação do Grupo Sounds Incorporated, muito amigo dos Beatles. Os vocais principais são de John, que conta de onde surgiu esse “bom dia” tão bem disposto. – Eu estava no piano, tentando criar alguma coisa, mas estava meio devagar. Aí ouvi na Tv esse ‘Good morning, good morning… ’, que é um anúncio de com flakes. E essa faixa é capaz de despertar qualquer um. O final é uma verdadeira parafernália sonora, com uma seqüência de efeitos que lembram uma fazenda no mais perfeito caos. As vacas mugem, os cavalos galopam e relincham atrás da raposa, os cães latem nervosos, passarinhos gorjeiam, o galo canta outra vez, há até uma fera (lobo?) na história. De repente, somos conduzidos direto do galinheiro para o teatro onde a banda se apresenta. É que George Martin conseguiu descobrir analogia entre o cacarejo da galinha e a primeira nota da guitarra na faixa seguinte. Resolveu, então, juntar as duas coisas. E lá vamos nós.

 

SGT.     PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND (REPRISE).

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Maracas, guitarra solo e vocais principais.

Paul McCartney: Baixo e vocais principais.

George Harrison: Guitarra sol e vocais principais

Ringo Starr: Bateria.

Depois que a guitarra corta o cacarejo da galinha, Paul conta até quatro e a batida inicia a segunda versão da faixa titulo. Todos cantam juntos os vocais principais, num andamento acelerado, sem os metais da gravação de abertura. E a banda que se despede rapidinho e, antes que o som da música desapareça, em meio aos aplausos, entra a guitarra acústica da mais polêmica de todas as faixas.

 

 

A DAY IN THE LIFE.

(Lennon-McCartney)

John Lennon: Violão, vocais principais e piano(+)

Paul McCartney: Baixo, piano, vocais principais, piano(+)

George Harrison: Bongos e piano (+)

Ringos Starr: Bateria, maracas e piano (+)

George Martin: Harmônio (+)

Mal Evans: Voz contando, despertador e piano (+)

Músicos de estúdio: Orquestra de 41 músicos (+) Só são tocados nos acorde final.

A canção começa no meio dos aplausos da faixa anterior, com John Lennon no violão. Em seguida, Paul entra no piano e a voz rouca de John começa a cantar. (Sua voz é um dos pontos altos da canção e, no entanto, ele andava preocupadíssimo, achando que ela era péssima, pedindo a George Martin que a corrigisse eletronicamente e chegando a cantar através de um tubo de papelão). Quando ele diz “I’d love to turn you on” (eu adoraria te ligar), entra a orquestra que vai subindo na escala musical criando um efeito ligadíssimo, até parar de repente. Ouve-se o despertador, e Paul acorda, levanta, sai correndo, pega o ônibus, fuma e entra num sonho (“Woke up, fell out of bed” até “Went into a dream”). A música fica suave e meio onírica, com John cantando em “AA” e a orquestra outra vez. Seria o efeito produzido pelo que Paul fumou? Tudo recomeça e, quando John repete “I’d love to turn you on”, a orquestra entra de novo, mas não pára dessa vez,  até o final da música, que é um acorde produzido por três pianos e um harmônico e dura cerca de 45 segundos. Nos discos ingleses, entra, em seguida, um tom de 20 mil Hertz, audível somente por cachorros – um gesto simpático para com esses animais; afinal, dizem que Londres tem três cachorros por habitantes. Mas a história não acaba aí. O sulco central do disco traz ruídos irreconhecíveis que já tiveram n interpretações – claro, rodando pra frente, pra trás, de todo o jeito. Isso, se seu toca-discos não for automático e a agulha permanecer sobre o disco até o fim (se tiver um toca-discos – vinil). Os “assassinos” de Paul ouviam, de trás pra frente, “Paul is dead” (prova irrefutável: “Paul está morto”); Paul contou que um grupo de fãs foi até a casa dele, cheias de risinhos, e disseram que tinham ouvido de trás pra frente e dava “We’ll fuck you like Superman”, ou seja, “Vamos foder vocês como super-homens”. Ele não acreditou, mas foi conferir e… – Lá estava, sem dúvida alguma… ‘We’ll fuck you like Supermen’. Eu pensei: ‘nossa, o que a gente pode fazer?” Na verdade, aquele finalzinho foi gravado na festa que aconteceu durante e depois das gravações de “A Day in the Life”, nos estúdios de Abbey Road. Estavam lá estrelas do astral de Mick Jagger e senhora (na época, a cantora Maranne Faithfull). A orquestra estava vestida a rigor e com máscaras fornecidas pelos Beatles. Esse momento, enquando tocavam trompete, foi tirada a última foto dos quatro com Brian Epstein no meio deles, antes de sua morte. Para gravar o som orquestral, George Martin avisou aos músicos que não havia partitura, mas que ele lhes indicaria quais as notas mais agudas e mais graves que cada um deveria tocar. É o resto era por conta deles. Essa parte foi gravada quatro vezes e reproduzida superposta com diferença de sincronização, a fim de se conseguir essa massa sonora compacta. A voz que se ouve contando pertence a Mal Evans. O despertador entrou sem querer e, como não era possível tirá-lo, acabou ficando e sendo aproveitado para o trecho de Paul. No final da gravação, lá pelas três da manhã, a festa rolava com muita bebida e roupas coloridas quando Ringo, diante do microfone, disse: – Acho que vou cair! E foi amparado por Mal Evans. Paul declarou à imprensa que a intenção de se referir a drogas existia nessa canção (e apenas nessa. O resto é elocubração de beatle-intérprete). – Mas queremos ligar você à verdade, mais do que à loucura. Assim se fechava a obra-prima desencadeadora de uma revolução que não encontrou substituta até o momento. O fecho foi um acontecimento cheio de surpresa e com muito estilo – como tudo que os Beatles fizeram. A BBC proibiu a canção.

Por Marina Sanches – @sancmarina.

 

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