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“Let It Be”.

É o décimo terceiro e último álbum lançado pelos Beatles. Gravado entre janeiro de 1969 e março/abril de 1970, o álbum foi somente lançado em 8 de maio de 1970, após o disco Abbey Road (último disco gravado) e juntamente com o documentário com o mesmo nome. Inicialmente estava previsto chamar-se Get Back.

As músicas “Let It Be” e “Get Back” foram lançadas como singles no Reino Unido, mas em versões diferentes das encontradas no álbum. “The Long and Winding Road” foi lançada como single nos EUA.

Get Back

Em 1969, Paul teve a idéia de gravar o álbum e documentário Get Back (“volte”, em português) planejado para ser uma “volta às raízes”. Paul tinha grande vontade de ver os Beatles tocando ao vivo novamente, idéia que não agradava ao resto da banda, principalmente George que chegou a declarar que estava saindo da banda. John sem se importar muito ameaçou chamar Eric Clapton para o lugar dele, mas Paul não concordou por achar que os Beatles sempre seriam os 4 e mais ninguém. Em comum acordo eles resolveram gravar um álbum como se fosse ao vivo, assim como foi feito no primeiro álbum dos Beatles, Please Please Me. Para isso até fizeram uma foto no mesmo local da capa de Please Please Me só que agora um pouco mais velhos. John chegou a falar para George Martin num tom áspero: “Dessa vez queremos um disco honesto e não mais uma daquelas porcarias que você faz!”. Em entrevistas posteriores, Martin diz que engoliu aquilo a seco, mas pensou em responder que todos os discos dos Beatles eram honestos até aquele momento. Os ensaios iniciaram em mono, nos “Twickenham Studios” e, após uma breve interrupção devido George ter deixado a banda temporariamente, concluiram-se com o retorno de George junto a Billy Preston, com as gravações nos estúdios da Apple, em multi-tracks. Quando a Apple foi iniciada, os Beatles deram todo o dinheiro necessário para um “amigo charlatão” que John conheceu na Grécia, chamado Magic Alex, para que construísse um estúdio que foi descrito por ele como o melhor estúdio possível. Porém quando George Martin e seus auxiliares técnicos foram inspecionar o local viram como “o maior desastre de todos os tempos. A mesa de mixagem era feito de madeira velha e um osciloscópio antigo, e os 72 canais prometidos por Magic Alex, eram só 16 canais”. E dizia mais: “O local não tinha paredes isoladas do som e era possível ouvir o barulho dos canos, das tubulações e o ronco do ar condicionado.” Mas mesmo assim os Beatles estavam dispostos a “ensaiar e gravar em casa”, com a produção de Glyn Johns, com Martin em segundo plano (o que o deixou visivelmente chateado pelo trabalho desonroso, já que ele nunca tinha ganho nenhuma fama ou fortuna pelo trabalho com os Beatles mesmo tendo ajudado a elevar eles ao patamar atual de melhor banda do mundo).

Os Beatles escolheram 7 músicas durante Janeiro de 1969 e tais gravações culminaram com uma performance live, em uma espécie de mini-show, no dia 30 de Janeiro, no telhado dos estúdios da Apple em Saville Row, para o filme do mesmo nome, até a polícia pedir para o grupo parar, visto o tumulto nas ruas. Foi a última apresentação pública dos Beatles, em 30 de Janeiro de 1969. Três das canções tocadas live, no telhado da Apple Studios, permaneceram no álbum final, Let It Be; elas são: “Dig a Pony”, “I’ve Got a Feeling”, e “One After 909”, e vários diálogos gravados também no telhado aparecem entre as faixas do álbum lançado. No total, centenas de músicas foram tocadas e gravadas, durante as sessões de estúdio das gravações para o projeto Get Back/Let It Be. Além das originais lançadas no Let It Be, incluiam as canções todas do álbum Abbey Road, e várias canções que acabaram sendo lançadas nos projetos solo após a separação dos Beatles. Canções como, “Jealous Guy” (Lennon); “All Things Must Pass” (Harrison); “Teddy Boy” (McCartney), além de diversas outras covers interpretadas por eles no estilo de blues de doze compassos.

O álbum estava planejado para ser lançado em Julho de 1969, mas adiaram para Setembro, visto que queriam que este fosse lançado junto com o especial para a televisão—o filme sobre os bastidores da gravação do álbum.

Em setembro de 1969, adiaram o lançamento de Get Back, novamente; desta vez para dezembro, já que estavam com um novo projeto pronto para lançamento, às mãos, o Abbey Road”, o último disco “oficial”.

Em dezembro os Beatles pediram a Glyn Johns para produzir um álbum das gravações feitas para combinar com o filme—ainda não lançado então—, Get Back. E, durante o final de 15 de dezembro de 1969 até 8 de Janeiro de 1970, novas mixagens foram preparadas. A mixagem do álbum incluia, em adição, Across The Universe—um remix da versão original gravada no estúdio, em 1968)—, e I Me Mine, gravação toda original, mas com o mesmo arranjo da versão para o filme, e somente com Paul, George e Ringo tocando, uma vez que John já havia deixado a banda. Mas os Beatles não gostaram do trabalho apresentado por Glyn Johns.

 

Por Marina Sanches – @sancmarina.

Fonte: S.S.

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“Let It Be”.

Composta por Paul, lançada no Lado A do single Let It Be/You Know My Name (Look Up The Number) de 1970. A canção também é faixa título do último disco em atividade, “Let It Be” e do filme de mesmo nome, lançado também em 1970.

A canção foi escrita entre o lançamento dos discos “Álbum Branco” e “Abbey Road,” quando decidiram fazem um disco ao vivo nos novos estúdios da Apple, cujo disco se chamaria “Get Back”. Foi um período intenso para os Beatles e para Paul, que era o único Beatle que parecia ainda se importar com os relacionamentos internos. Nessa época, eles estavam sendo músicos, compositores, produtores e empresários e após a morte do empresário Brian Epstein, Paul se sentiu menos motivado, porém, mais obrigado a manter o grupo unido.

Paul fala sobre a letra na autobiografia “Many Years From Now” de Barry Miles: “Uma noite, durante aqueles tempos intensos, eu tive um sonho com minha mãe que tinha morrido há mais de 10 anos atrás. E foi tão bom vê-la porque isso é fantástico nos sonhos: Você fica unida a essa pessoa por segundos e parece que esteve presente fisicamente também. Foi ótimo para mim e ela parecia estar em paz no sonho dizendo, ‘Tudo ficará bem, não se preocupe, pois tudo se acertará.’ Eu não me lembro se ela usou a palavra ‘Let it be’ (Deixa estar) mas era o sentido do seu conselho. Eu me senti muito abençoado por ter tido aquele sonho. E comecei a canção literalmente com a frase ‘Mother Mary.’ A canção é baseada naquele sonho.”

A canção cita “Mother Mary comes to me” que apesar de parecer algo Católico ou Cristão (“Ave Maria vem até mim”), na verdade se trata de Mary McCartney, mãe de Paul. Mas ele explica a dualidade: “Ave Maria ou Mãe Maria, se torna uma coisa religiosa e você pode tomar desse jeito. Eu não me importo. Eu fico feliz se as pessoas tomarem para alimentar sua fé. Não tenho problema com isso. Acho importante ter fé na vida, principalmente no mundo que vivemos.”

John demonstra pouca afeição pela canção na entrevista para a revista Playboy em 1980: “Aquilo é Paul. O que eu posso dizer? Nada a ver com os Beatles. Poderia ser até Wings. Eu acho que a inspiração foi ‘Bridge Over Troubled Water.’ É o que eu acho mas não tenho muito a dizer. Só sei que ele sempre quis fazer ‘Bridge Over Troubled Water.’”

John estava equivocado dando sua opinião sobre a inspiração de Paul, pois o disco de Simon and Garfunkel, “Bridge Over Troubled Water” foi lançado um ano depois dos Beatles terem gravado a canção “Let It Be”. De acordo com o Allmusic, Simon and Garfunkel tocaram a música ao vivo em 1969 antes de lançá-la, mas é improvável que Paul tenha ouvido antes de 31 de janeiro de 1969.

Na canção Paul demonstra todo o seu pensamento positivo e apesar de “Mother Mary” ser sua mãe, a canção traz certo sentimento de oração, dizendo que “Quando eu me encontro em tempos atribulados, a mãe Mary vem até mim dizendo palavras de sabedoria, deixe estar. E em horas de escuridão, ela fica em frente a mim, dizendo palavras de sabedoria, deixe estar.”

Na segunda estrofe ele continua dizendo “Que todas as pessoas de coração partido e vivendo o mundo conformadas e para aqueles que pensam estar arruinados, ainda haverá uma chance que eles irão ver e sempre haverá uma resposta, deixe estar.”

Na última estrofe ele diz “Que quando a noite está nublada, ainda existe uma luz que brilha em mim, brilha até amanhã e eu acordo com o som da música e a mãe Mary vem até mim, dizendo palavras de sabedoria, deixe estar.”

Em algumas versões Paul substitui a frase “There will be an answer” (“Sempre haverá uma resposta”) por “There will be no sorrow” (“Não haverá mais sofrimento”).

Os Beatles gravaram 28 versões de “Let It Be” em 26 de janeiro de 1969, no “Apple Studios”, com Billy Preston no órgão. Muito da sessão foi usada junto com “The Long and Winding Road,” que naquele ponto, eram as principais canções de trabalho do próximo álbum.

20 versões foram gravadas no dia 27 de janeiro e outro take foi feito 2 dias depois. Os Beatles estavam se preparando para o show no telhado da Apple, então estavam se focando em outras canções. Em 31 de janeiro eles voltaram e gravaram a versão definitiva da base com Paul no piano, John no baixo, George na guitarra, Ringo na bateria e Billy Preston no órgão. Essa sessão consta no filme Let It Be.

A canção traz uma dos mais confusos calendários de gravação dos Beatles: Já que foram feitos arranjos de orquestra por George Martin, George Harrison executou muitas versões do solo em 30 de abril de 1969 (versão do single) e em 4 de janeiro de 1970 (versão do álbum). E o vocal de apoio de Linda McCartney que foi usado apenas no single. Também traz muitos técnicos envolvidos além de Martin e Chris Thomas na versão single, ainda traz Glyn Johns, Jeff Jarratt, Phil Mcdonald e a versão do álbum produzida por Phil Spector.

A versão do álbum foi mixada por Phil Spector em 26 de março. Spector usou o solo de 4 de janeiro sincronizado com o órgão e as cordas. Ele ainda adiciona um “efeito eco” do chimbal da bateria, e alonga a canção repetindo uma parte do refrão final.

Uma nova versão foi feita para o “Let It Be… Naked”, de 2003. Trabalho idealizado por Paul McCartney e Ringo Starr com consultoria de George Martin. A canção foi simplificada, adicionando apenas mais guitarras nas bases e o solo que George Harrison executou em 30 de abril de 1969.

Por Marina Sanches – @sancmarina

Fonte: S.S.