Arquivo da tag: The Beatles

“THE BEATLES – ÁLBUM BRANCO – A SEPARAÇÃO DE QUATRO GÊNIOS”.

1968 4 1968 4266061656_50d29767f9_zBeatles álbum branco 10Beatles álbum branco 6Beatles álbum branco 9Beatles álbum branco 14Beatles álbum branco 8
– Ali não há nada de música dos Beatles. É sempre John e a Banda, Paul e a Banda, George e a Banda…E eu gostei muito de trabalhar assim.
A declaração, referente ao chamado Álbum Branco, é de John Lennon. Foi feita durante uma entrevista, anos depois do lançamento do LP, primeiro álbum duplo dos Beatles. Era também o LP de estréia do selo Apple que, até então, só havia editado o compacto ‘Hey Jude/Revolution”, cerca de 3 meses antes.
Tão controvertido quanto os trabalhos anteriores (Sgt. Pepper, Magical Mystery Tour), o álbum The Beatles (e não Álbum Branco, como ficou conhecido) foi gravado de maio a outubro de 1968. As gravações não foram muito tranqüilas e já prenunciavam o fim: começavam as crises que levariam à ruptura de um dos maiores fenômenos da música contemporânea.
Chegou a acontecer mesmo uma separação dos Beatles, pois  Ringo deixou o grupo, aborrecido com as criticas de Paul a seu estilo de tocar. Alguns dias depois, porém, ele voltou, pois os três pediram, repetindo incessantemente que ele era o melhor baterista do mundo.
Mas os problemas não acabavam aí. Desde a morte do empresário Brian Epstein, ocorrido no ano anterior, que o grupo estava meio órfão, Paul atuando como líder, mas isso não era suficiente e estavam todos baratinados. Sem Brian , também a parte financeira da Apple estava mal administrada. E o pior é que quatro parceiros musicais se viram na obrigação de atuarem também como sócios de uma empresa. E nisso, eles não eram bons. Mas mesmo sobre a contratação de um novo empresário para a firma houve divergências: Paul queria seu futuro sogro, Lee Eastman, e John, Allen Klein.
O fato é que na hora de gravar e editar o LP ninguém estava muito entusiasmado, mas havia um contrato a cumprir com a EMI. O resultado é bem diversificado,  mas em termos de qualidade, é homogênio. E apenas reforça o que já sabemos: só gênios podem conseguir que um trabalho desleixado resulte num produto do nível do Álbum Branco.
A diversidade das faixas também atesta a genialidade dos Beatles: conseguem passar do rock pesado “Helter Skelter” às baladas “Blackbird” e “Mother Nature’s Son”, via Hollywood “Good Night” em contraste com a loucura de “Revolution 9”.
Foram gravadas cerca de 40 faixas, a maioria das quais, composta durante a viagem à Índia, quando estiveram com Maharishi Mahesh Yogi (“homenageado” por John em “Sexy Sadie”). Algumas foram, então, eliminadas, entre as quais, “What’s the New Mary Jane”, que seria lançada em compacto, mas continua inédito até hoje. Restaram 31:4 de George, 1 de Ringo e 26 assinadas por John e Paul. Apenas assinadas, pois não compuseram juntos (com exceção de “Birthday”). Em geral, o autor é aquele que faz os vocais principais. Na verdade, cada um fez o que quis nesse disco. E, como sempre, acertou.
A capa branca é uma compensação à parafernália dos últimos trabalhos e traz apenas o titulo do LP em relevo. Dentro, os títulos das faixas e uma foto preto e branco de cada um. Como encartes, as mesmas fotos em cores e um pôster com uma colagem que já foi chamada de “versão visual de Revolution 9”. Do outro lado do pôster, as letras. É ver ouvir e conferir mais uma vez: Beatles 4 ever.
https://marinasanches2005.files.wordpress.com/2013/10/6502d-albumbranco05.jpg

Por Marina Sanches.
Fonte: S.S.

BEATLES POR LEONARDO BERNSTEIN / 9 DE OUTUBRO DE 1979.

LEONARDO BERNSTEINBg12momIIAAPUEA

“Me apaixonei pela música dos BEATLES ( e, ao mesmo tempo, por aqueles quatro caras “cum persone”) junto com meus filhos, duas meninas e um garoto, ao descobrir aquele falsete fabuloso gritado-sussurrado, aquela batida irresistível, a entonação perfeita, as letras completamente novas, a torrente schubertiana de invenção musical e a “nonchalance” tipo Danem-Se esses Quatro Cavalheiros do Nosso Apocalipse. Jamie tinha doze anos, Alexander, nove, e Nina, dois. Juntos nós vimos A Visão, em nossas formas inevitavelmente distintas (eu tinha 46 anos!), mas vimos a mesma Visão, e ouvimos o mesmo Pássaro-da-Manhã, Trombeta-do-Elefante, Fanfarra-do-Futuro. Que Futuro? Cá estamos nós, quinze anos se passaram, aquilo passou. Porém, durante uma década mais ou menos, ou ainda menos, aquilo permaneceu a mesma Visão-Clarim, cada vez mais concluente e irrefutável, mais clara, mais amarga – e melhor…

1.JPG3Album Branco

 

…”Talvez o mais claro, mais amargo ( e quem sabe melhor ) foi um disco chamado “REVOLVER ( pace Sgt. Pepper, Abbey Road et al.). Nesse álbum, a melhor coisa, talvez, era uma musiquinha chamada “She said she said; pensar nela, lembar-se dela traz imediatamente à memória toda a beleza daquelas Veias Varicosas Vietnamitas. As notas cicatrizavam, a letra incomodava; ou talvez fosse vice-versa. Mas alguma coisa incomodava, e alguma coisa cicatrizava, anos após ano, Rigby após Rigby, Paperbak após Norwergian, talvez expressa às últimas consequências na verdade vislumbrante e triste de She’s leaving home…

 

“Enquanto isso, aparecia um volume fino, de pura genialidade verbal de um ator novo, chamado JOHN LENNON: in his own write. Como se isso não bastasse para lenda, ainda havia as notas ( e a voz de sereia-sílfide) de um tal McCartney. Esses dois formavam uma dupla que incorporou uma criatividade quase nunca igualada naquela década feliz. Ringo – um ator-instrumentista adorável. George – um talento místico irrealizado. Porém, John e Paul, São John e São Paul, eram, e fizeram, e aureolaram, beatificaram e eternizaram o conceito que será sempre conhecido, lembrado e profundamente amado como THE BEATLES…

John and Paul AppleBeatles Revolver Sessions 3Paul 23In his Own WriteA9m7K8ECMAIw9tr

 

“E, se os depois foram simplesmente isso, os quatro foram O Todo. Essa interdependência deixava atônito, chapava, às vezes dava pavor; vamos mesmo precisar disso tudo Quando Tivermos 64 anos? Bem, hoje estou beirando os 64 (amigos(as) o ano é de 1979 ), e três compassos de A day in the life bastam para me sustentar, rejuvenescer, excitar meus sentidos e sensibilidades.

 

 

Nina, que tinha dois anos em 64, agora tem dezessete; e ainda na semana passada pegamos aquele livro grosso e infeliz de partituras maltiradas dos BEATLES para ficar relembrando no piano.Nós choramos, e demos pulos de alegria com as redescobertas ( She’s a woman) – só nós dois, durante horas (Ticket to ride, A hard day’s night, I saw her standing there)…

Isso foi a semana passada. Os BEATLES não existem mais. Mas esta semana ainda estou pulando, chorando, recordando uma época boa uma década de ouro, bons tempos, bons tempos…..”

BhRYT9eCcAAcTFnRingo 51974Paul McCartney - Helter Skelter

 

 

POR LEONARDO BERNSTEIN / 9 DE OUTUBRO DE 1979

 

Por Marina Sanches – @sancmarina